Água Limpa

Água limpa é aquela livre de sujeira física visível. É obtida pelos processos de limpeza física: filtração, aspiração, peneiração e limpeza dos cestos pré-filtros e das bordas da piscina.

Filtração

Consiste na passagem da água pelo filtro, para remoção das impurezas físicas visíveis. A finalidade da filtração é conseguir água visivelmente limpa e mantê-la nessa condição. Para isso o trabalho do filtro deve ser complementado pela limpeza manual das sujeiras depositadas nas superfícies internas da piscina, como folhas, insetos e outros detritos, com a utilização dos acessórios adequados, como:

1. Filtro(*)
O elemento filtrante mais utilizado, contido no filtro, é a areia de granulação específica que retém a sujeira em suspensão para que a água retorne limpa à piscina.

2. Bomba(*) – ou motobomba –
Acoplada ao filtro, sua função é movimentar a água pelo sistema de recirculação da piscina e permitir ao filtro executar suas funções, as quais, controladas por uma válvula seletora, consistem basicamente em: filtração, aspiração, recirculação, drenagem e retrolavagem.

Exemplo de sistema típico de circulação da água de uma piscina .

Acione a filtração conforme as instruções do fabricante do filtro e/ou da piscina(*). Na falta delas procure iniciar com 4 a 8 horas diárias durante o verão e de 2 a 4 horas diárias no inverno. O objetivo é manter água sempre limpa; se sentir que ela começa a turvar-se, aumente o tempo de filtração.
(*) Leia atentamente o manual do fabricante e siga suas instruções.

3. Coadeira automática – ou skimmer
Instalada ao nível da água, sua função é captar sujeiras que flutuam na superfície.

4. Pré-filtros
A motobomba e o skimmer dispõem de cestos pré-filtros para reter as sujeiras maiores e evitar que elas atinjam a bomba. Limpe-os ao menos uma vez por semana. A sujeira acumulada nesses cestos diminui a eficiência de sucção da motobomba.

5. Aspirador
Conectado à coadeira automática ou à tomada de aspiração na parede da piscina por meio de mangueira flexível. O aspirador – convencional ou automático – remove a sujeira depositada sobre as paredes e fundo da piscina.

6. Peneiras
Usadas com freqüência para a remoção de folhas e outros detritos maiores em suspensão ou depositados no fundo da piscina; evitam o risco de entupimento da tubulação e manchas nas superfícies.

7. Escovão
Para limpeza das superfícies submersas. Use-o, como uma vassoura, para desprender sujeiras depositadas nas paredes e piso da piscina e/ou empurrá-las para próximo do ralo de fundo. Isso reduz o trabalho de aspiração.

ESCOVAÇÃO

PENEIRAÇÃO

ASPIRAÇÃO

1. A instalação de um timer (temporizador) para ligar e desligar a filtração diariamente, de forma automática, é uma opção interessante para poupá-lo(a) dessa tarefa e evitar seu esquecimento. Ajuste nele o horário em que a filtração deve funcionar e o timer fará seu controle.

2. Use semanalmente o produto TRATAMENTO SEMANAL GENCO para melhorar o rendimento dos filtros. Durante a filtração partículas muito finas de sujeira passam pela areia do filtro e retornam à piscina, causando turbidez ou embaçamento da água. O TRATAMENTO SEMANAL GENCO, entre suas inúmeras atividades que serão expostas mais adiantes, aglomera essas partículas microscópicas em suspensão, as quais, tornando-se maiores, passam a ser facilmente retidas pelo filtro. Filtração mais eficiente resulta em água mais cristalina.




Água Balanceada

Água balanceada é aquela que não produz irritação nos olhos e mucosas dos banhistas, não corrói equipamentos, cimento ou argamassa, não deposita incrustações e assegura a eficácia na ação dos produtos químicos. Obtém-se água balanceada mantendo o pH, a alcalinidade total, cloro livre e a dureza cálcica dentro da faixa ideal. 

Água balanceada é aquela que não produz irritação nos olhos e mucosas dos banhistas, não corrói equipamentos, cimento ou argamassa, não deposita incrustações e assegura a eficácia na ação dos produtos químicos. Obtém-se água balanceada mantendo o pH, a alcalinidade total, cloro livre e a dureza cálcica dentro da faixa ideal. Os ESTOJOS DE ANÁLISES GENCO® são instrumentos imprescindíveis, pois é a partir dos resultados de suas análises que serão decididos os produtos a utilizar e suas respectivas dosagens. Eles permitem analisar, de forma simples, fácil e econômica, os parâmetros fundamentais para uma água balanceada. São eles: 
pH  Indica de forma simples e objetiva se a água está ácida (pH inferior a 7), neutra (pH igual a 7) ou básica (pH superior a 7). O pH da água de piscinas deve ser mantido sempre dentro da faixa ideal para garantir eficácia à desinfecção do cloro, 
conforto dos banhistas e proteção dos equipamentos metálicos. Faixa ideal: 7,4 a 7,6, a análise diária. 

Alcalinidade Total (AT) - Confere estabilidade ao pH e facilita seu controle. É extremamente importante que a AT em águas de piscinas seja mantida na faixa ideal, sendo que essa faixa depende do cloro utilizado.Faixa ideal: 80 a 100 ppm quando há uso de POOL-TRAT® / 100 a 120 ppm quando há uso de GENCO® L.E., GENCLOR® Granulado ou Tabletes. Análise semanal. 

Dureza Cálcica (DC) - É a concentração de sais de cálcio dissolvidos. Se estiver fora da faixa ideal e o pH e AT estiverem desajustados pode causar turbidez da água, incrustações nas superfícies, corrosão e diminuição da eficiência do cloro. Faixa ideal: 200 a 400 ppm. Análise mensal. 


Água Saudável

Água saudável é aquela livre de qualquer tipo de microrganismo entre (causador ou nãode doenças), da presença de odores desagradáveis, do acúmulo de materiais orgânico e inorgânicos, e colorações estranhas.

Durante o uso, banhistas aportam na água cabelos, pêlos, cosméticos, células mortas e óleos da pele, suor e outras secreções, urina etc., além de seus próprios microorganismos. Mesmo com a piscina sem uso, os agentes atmosféricos – como o ar, o vento, as chuvas – trazem poeiras, insetos, folhas, algas, fungos e bactérias. A própria água de abastecimento, conforme sua origem, pode conter alguns ou todos esses contaminantes. Os organismos vivos encontram nessa mistura meio altamente propício para crescer e se multiplicar, ameaçando a saúde e o bem-estar dos banhistas.

Limpeza física eficiente, consegue eliminar a parte visível dessa poluição (folhas, insetos, poeira), mas as demais, que são invisíveis aos nossos olhos, misturam-se na água, passam pelo meio filtrante e entram em contato íntimo com os usuários.

Esses contaminantes invisíveis podem ser divididos em duas categorias: impurezas químicas (substâncias orgânicas e inorgânicas) e impurezas biológicas (microorganismos vivos ou mortos).

Desinfecção

Os microorganismos vivos precisam ser eliminados para não crescerem e se multiplicarem. Desinfecção é o nome que se dá ao processo que elimina 99,99% dos microorganismos vivos. O cloro – por diversas características que apresenta – é o produto mais amplamente utilizado em todo o mundo para a desinfecção de águas para fins potáveis, industriais e recreacionais.

Logo que colocado na água, o cloro reage para formar o ácido hipocloroso (HOCl), também chamado cloro livre, o verdadeiro e poderoso desinfetante que em pouco tempo destrói os microorganismos presentes. A quantidade de cloro livre que sobra na água após essa ação é chamada de residual de cloro livre. Para que a água da piscina seja considerada sanitariamente segura ela deve conter - o tempo todo - residual de cloro livre da ordem de 2 a 4 ppm, porque esse nível assegura a destruição contínua e eficaz dos microorganismos que lhe chegarem a qualquer momento através dos agentes atmosféricos, da água de reposição e dos próprios banhistas. Esta é a missão da cloração no tratamento de águas de piscinas.

Ameaças ao poder desinfetante do cloro

Microorganismos mortos somam-se às impurezas químicas (orgânicas) já mencionadas; e esse conjunto, se acumulado na água, passa a lhe transmitir aspecto desagradável como viscosidade, opacidade, e a atrapalhar o processo de desinfecção, servindo de alimento para novos microorganismos.

Outras impurezas químicas, aquelas que contém nitrogênio de origem amoniacal (orgânico ou inorgânico), como suor, urina, aminoácidos, sais de amônio, entre outros, reagem com o cloro livre, consumindo-o, e dando formação ao cloro combinado, que, para efeitos práticos, não tem poder desinfetante em águas de piscinas. Porém, o cloro combinado, também chamado de cloramina, tem cheiro forte “de cloro", é irritante aos olhos e mucosas dos usuários e, em geral, é interpretado pelos banhistas como “excesso de cloro na água”. É aqui que se forma a grande confusão: cloro livre não tem cheiro, mesmo em residuais de 20 ppm; cloro combinado exala cheiro forte e irritante a partir de 0,1 ou 0,2 ppm.

Não há possibilidade de impedir a formação de cloro combinado, porque a manutenção de residual de cloro livre é necessária e obrigatória; o uso da água por banhistas – que contribuem com a maior parte do material amoniacal – é o objetivo e finalidade da piscina; mesmo sem uso, a água recebe continuamente outros contaminantes através do ar, ventos, chuvas e da água de reposição.

A oxidação preserva a ação do cloro

A oxidação – ou “queima” - é o processo utilizado em tratamento de águas de piscinas para destruir os contaminantes orgânicos e o cloro combinado. Ela precisa ser feita no início do tratamento e repetida com freqüência para que a desinfecção não seja comprometida e também para evitar a deterioração da qualidade da água. Essa oxidação é feita com dosagens relativamente altas de oxidante, por isso é chamada de oxidação de choque. A oxidação de choque pode ser feita com alta dosagem de cloro (supercloração) ou com outro oxidante.

O sol também ameaça o residual de cloro

A mesma luz solar que propicia o uso da piscina com maior alegria e prazer também ameaça a ação desinfetante do cloro: sua luz ultravioleta destrói o residual de cloro livre em 2 a 3 horas de exposição. É praticamente impossível manter-se cloro livre numa água exposta ao sol sem adições constantes e regulares de cloro que só são possíveis com o uso de equipamentos automáticos e, mesmo assim, com consumo elevado de cloro.

Também para esse problema a tecnologia atual tem solução: a estabilização do cloro impede a ação destrutiva dos raios ultravioleta sobre o cloro livre, permitindo mantê-lo o tempo todo dentro da faixa recomendada e com muita economia.

Resumindo, para obter e manter a água da piscina saudável é necessário:

A – Oxidação de choque – Tem como função eliminar (“queimar”) os restos de microorganismos mortos pela desinfecção, assim como os demais materiais orgânicos de diversas origens e substâncias químicas que podem comprometer a qualidade da água, especialmente as cloraminas. Deve ser feita no início do tratamento químico e repetida com freqüência, de preferência semanalmente.
B – Desinfecção com cloro (cloração) – Mata os microorganismos presentes na água antes que tenham tempo de infectar os usuários ou se multiplicar. A cloração deve ser um processo contínuo, com manutenção de residual de cloro livre de 2 a 4 ppm sempre presente, já que o aporte de contaminações à piscina é constante.
C – Estabilização do cloro – Tem a finalidade de impedir que os raios ultravioleta do sol consumam rapidamente o cloro adicionado à água e anulem a ação desinfetante. Piscinas internas – que não recebem luz solar – não necessitam da estabilização.

Como, quando e com quais produtos fazer a oxidação de choque, a cloração e a estabilização.

A – Oxidação de choque A oxidação de choque é o processo de eliminação – por queima química – de todo o material orgânico ou inorgânico que a água acumula ao longo do tempo, seja durante a ausência de tratamento, seja durante seu uso por banhistas. A oxidação de choque é feita com alta dosagem de oxidante e deve ser executada logo após se obter água limpa e equilibrada e antes de iniciar seu processo de cloração (desinfecção).

Durante o uso por banhistas, esses mesmos contaminantes voltam a se acumular, por isso a oxidação de choque deve ser repetida, de preferência semanalmente, durante a temporada. Piscinas aquecidas necessitam de oxidação de choque mais freqüente devido a maior carga de contaminantes aportada pelos usuários.

• Oxidação de choque com TRATAMENTO SEMANAL GENCO

TRATAMENTO SEMANAL GENCO é o oxidante por excelência para a tarefa de oxidação de choque porque, ao mesmo tempo em que ele oxida materiais orgânicos, evita o desenvolvimento de algas (ação algistática) e microorganismos (ação desinfetante) e aglomera micropartículas de sujeira que normalmente passam pelo filtro, tornando-as maiores para que a filtração consiga retê-las (ação clarificante e auxiliar de filtração), tudo isso sem alterar o pH da água da piscina. Este produto pode ser utilizado com segurança em qualquer tipo de piscina: fibra, vinil, azulejo e pintura.O TRATAMENTO SEMANAL GENCO deve ser utilizado ao iniciar o tratamento, semanalmente durante a temporada de uso da piscina, e também após uso intenso, chuvas fortes ou quando a água apresentar-se turva e sem brilho ou com “cheiro forte de cloro”.

• Principais Vantagens

• Formulação inédita e revolucionária que substitui – a um só tempo e com vantagens – algistáticos, oxidantes, desinfetantes, clarificantes e auxiliares de filtração.

• Não contém metais.

• Clarifica a água e restaura o brilho cristalino.

• Melhora a eficiência da filtração.

• Oxida com maior eficácia.

• Erradica o desenvolvimento de algas.

• A piscina pode ser utilizada 30 minutos após a aplicação.

• Não altera o pH da água da piscina.

• Indicado para qualquer tipo de piscina: fibra, vinil, azulejo e pintura.

Como oxidar com TRATAMENTO SEMANAL GENCO

a) retrolavar o filtro;
b) acionar a filtração da água;
c) adicionar a dosagem recomendada de TRATAMENTO SEMANAL GENCO a um balde com água da própria piscina, misturar e espalhar essa solução por sua superfície;
d) manter a filtração por 4 a 8 horas seguidas;
e) após a clarificação, aspirar – filtrando – a sujeira depositada;
f) retrolavar o filtro.

Leia atentamente e siga as instruções das embalagens.

B – Desinfecção com cloro (cloração)

O cloro está disponível sob diversas formas de apresentação, as quais, em geral, determinam como o processo de cloração pode ser realizado, isto é, manual, semi-automática ou automaticamente. A escolha do tipo de cloro – e processo de cloração – que vai ser utilizado para tratar sua piscina é uma decisão importante que você precisa tomar. Há o cloro estabilizado, o não estabilizado, em grânulos de dissolução rápida para aplicação manual, tabletes de dissolução lenta para cloração contínua automática, em dosadores ou cloradores.

Como já vimos, o objetivo da cloração é desinfetar continuamente a água da piscina, e, para isso, temos de manter residual de cloro livre de 2 a 4 ppm na água o tempo todo. Isso pode ser conseguido de forma eficiente com o uso de qualquer um desses tipos de ‘cloro’, desde que a água esteja estabilizada se exposta à luz solar, as instruções de uso sejam seguidas corretamente e os demais itens e parâmetros do tratamento sejam mantidos sob controle.

Se você vai iniciar-se no tratamento ou deseja mudar o tipo de cloro que está utilizando, identifique aquele mais adequado ao seu perfil e conveniência. Se tiver dúvida, ou precisar de mais informações, consulte o artigo “Cloro – Saiba como escolher” em www.genco.com.br. na seção “Escolher Cloro”.

A seguir, conheça cada um dos cloros GENCO com suas principais características e formas de aplicação.

Opções de cloro GENCO

1. POOL-TRAT Cloro Granulado GENCO
2. GENCLOR Granulado Cloro Estabilizado GENCO
3. GENCO L.E. Cloro Granulado MÚLTIPLA AÇÃO “3em1'”
4. GENCLOR Tabletes T-20 e T-200 Cloro Estabilizado GENCO
5. GENCO TABLETES MÚLTIPLA AÇÃO “3em1'” T-200

Análise do residual de cloro livre

Qualquer que seja o tipo de cloro utilizado ou o sistema de cloração adotado, a análise do residual de cloro livre deve ser feita, diariamente, com o ESTOJO DE ANÁLISES GENCO “3em1” ou com FITA TESTE “3em1” GENCO. Sempre que os resultados revelarem residuais de cloro livre fora da faixa de 2 a 4 ppm(*), ajustes devem ser feitos na dosagem ou nos acessórios/equipamentos de cloração para que essa faixa seja atingida e mantida.
Nota: se o residual de cloro estiver elevado (>5 ppm), o Reagente CL2 ao reagir com o cloro não desenvolve cor. Adicione mais uma gota de Reagente CL2. Se a cor rosa (forte) aparecer temporariamente ou tornar-se levemente rosa, a água está superclorada. Se não desenvolver cor, então o residual de cloro é zero.

ESTOJO DE ANÁLISES GENCO “3em1” permite analisar ao mesmo tempo o residual de cloro livre, o pH e a alcalinidade total

Estabilização de Cloro

O maior inimigo da verdade não é a mentira (deliberada, inventada e desonesta), mas o mito (persistente, persuasivo e irreal)”. Presidente John F. Kennedy

Rumores mal intencionados - e desprovidos de base técnica – apontam “riscos da utilização incorreta dos cloros estabilizados” e estão gerando dúvidas em consumidores desses produtos. Diga-se de passagem que a mesma tentativa tem sido empregada e periodicamente repetida por algumas empresas desde a década de 1970 – após o grande sucesso que os produtos dessa classe atingiram.
Quer saber a verdade? Veja as dúvidas mais frequentes e a verdade cientificamente comprovada sobre o uso de ácido cianúrico e seus derivados clorados (os cloros estabilizados) em piscinas:

É verdade que tanto o dicloro quanto o tricloro apresentam em sua composição o ácido cianúrico?

O dicloro isocianurato de sódio e a tricloro-s-triazina-triona (ou ácido tricloro isocianúrico) não são composições químicas (que pressupõem misturas de produtos químicos)* e sim produtos químicos puros, derivados do ácido cianúrico, com pesos moleculares definidos, como pode ser visto pelas fórmulas estruturais abaixo:

A reação do dicloro e tricloro com água resulta em ácido hipocloroso e ácido cianúrico, sendo que este é neutralizado e fica presente na água da piscina como um sal, geralmente de sódio ou de cálcio, dissociado em seus íons. O comportamento do cloro livre (ácido hipocloroso e íon hipoclorito), em soluções contendo ácido cianúrico ou seus derivados clorados (dicloro e tricloro), com pHs entre 7 e 8, é controlado principalmente pelos seguintes equilíbrios (reações químicas reversíveis)*1:

Para facilidade de entendimento, o anel cianúrico está representado como CA:

a) A partir de dicloro:

b) A partir de tricloro:

É sabido que o cloro, após ser aplicado na piscina, além de ficar exposto à radiação UV dos raios solares é consumido no seu processo de desinfecção da água. Por isso a aplicação do cloro tem de ser periódica na piscina a fim de mantê-la sempre saudável e protegida?
Outros fatores como pH e alcalinidade desajustados também contribuem no consumo do cloro?

O que é “aplicação periódica”? Uma vez por dia? Uma vez por semana: Uma vez por hora? Periodicamente é muito vago. Tecnicamente, pouco importa qual cloro você aplica na água, nem como e quando você aplica. O que importa mesmo para que a água se mantenha saudável e protegida é que, após atendida a sua demanda de cloro para oxidação e desinfecção das impurezas presentes, ela mantenha a presença de residual superior a 1 ppm de cloro livre (ácido hipocloroso) o tempo todo. A origem deste cloro pouco importa; nem a análise química da água consegue determinar a origem do ácido hipocloroso, isto é, ele pode provir de hipoclorito de sódio, do hipoclorito de cálcio, do cloro gás (adicionado ou gerado “in situ” a partir de sal e eletricidade), dicloro, do tricloro, ou de inúmeros outros produtos; o comportamento químico do cloro livre, o ácido hipocloroso, é exatamente igual, não importa sua origem (ver equação 3). Embora diversos fatores contribuam para o consumo residual de cloro livre, estima-se que 90% do cloro adicionado para desinfetar a água de piscinas não estabilizadas é dissipado em apenas 2 a 3 horas de exposição ao sol, enquanto que piscinas estabilizadas com 25 ppm de ácido cianúrico perdem apenas 30% de seu cloro, em igual período*2.

O conceito da estabilização com ácido isocianúrico e a desinfecção com isocianúricos clorados, introduzido nos E.U.A a partir de 1960 pela FMC, e no Brasil a partir de 1976 pela Genco, reduz significativamente a decomposição do residual de cloro livre pela luz ultravioleta, fazendo com que:

1. Mesmo com pequenas adições de cloro apenas uma vez por dia a água de piscinas residenciais se mantenha clorada por 24 horas na presença de luz solar, ou
2. Com apenas uma aplicação de tricloro em tabletes em cloradores flutuantes ou dosadores instalados em linha possa manter a água clorada continuamente por semanas ou até meses.

Exemplo 1*3: Veja na Figura 1 o resultado de teste realizado com dicloro granulado x hipoclorito de cálcio granulado: Diariamente, “as 6horas da manhã era adicionado a uma piscina a quantidade de hipoclorito de cálcio granulado recomendada na embalagem (aprovada pelo EPA-USA) para liberar 4,5 ppm de cloro livre (QUASE 7 GRAMAS/M³ DO PRODUTO!).Em outra piscina era adicionada a quantidade de dicloro granulado também aprovada pelo EPA-USA para liberar 1,5 ppm de cloro livre (MENOS DE 3 GRAMAS/M³ DO PRODUTO).

Resultado: 6 horas depois o residual de cloro na primeira piscina era zero, isto é a piscina ficava com 0 ppm de cloro das 12 horas até às 6 horas da manhã seguinte. Na segunda piscina o residual de cloro manteve-se 24 horas por dia entre 1 e 1,5 ppm, durante todo o período de duração do teste.

Exemplo 2 *4: Iniciado o teste foi adicionada a uma piscina não estabilizada a dosagem recomendada na embalagem de hipoclorito de cálcio granulado para prover residual de 4 ppm de cloro livre; em outra piscina de igual dimensão, porém estabilizada com 50 ppm de ácido cianúrico, foi adicionada a dosagem recomendada na embalagem dicloro granulado equivalente a cerca de 1 ppm de cloro livre. Os residuais de cloro de cada piscina foram analisados a cada 24 horas, antes de novas dosagens diárias dos mesmos produtos serem adicionadas. Ao fim de cada período de 24 horas a piscina tratada com hipoclorito de cálcio granulado não apresentava residual de cloro livre, mesmo duplicando, triplicando e quadruplicando a dosagem inicial do produto. No mesmo período, a piscina tratada com dicloro permanecia clorada, portanto sua dosagem foi reduzida para 50% após as primeiras 24 horas, para 40% da dosagem inicial ao fim de 48 horas e para 29% da dosagem inicial ao fim de 72 horas e a sua água ainda apresentava residual de 1 ppm de cloro livre ao fim do teste de 96 horas, conforme a tabela da Fig. 2.

Tempo: sol a parcialmente nublado
pH: 7,2 a 7,9
Alcalinidade Total: 50 a 100 ppm
Volume da piscina: 18,93 m³
Temperatura da água: 19 a 23 ºC

É verdade que quando o dicloro e o tricloro são utilizados com regularidade a parcela que corresponde ao ácido cianúrico permanece na água, ou seja, o ácido cianúrico vai se acumulando na piscina e termina por provocar superestabilização (residual cerca de 100 ppm de ácido cianúrico)?

Não. O Anexo A (Chemical Operational Parameters) das normas americanas para tratamento de piscinas e spas*5,6,7,8,9,10, tanto residenciais como públicas, indica residuais ideais de ácido cianúrico entre 30 e 50 ppm e máximo de 150 ppm. Na Inglaterra é permitido o uso de dicloro, tricloro e ácido cianúrico, desde que o residual de ácido cianúrico não exceda 400 ppm*11. NOS E.U.A. a maioria dos órgãos de saúde estaduais aceitam residuais de até 100 ppm; alguns de até 200 ppm*12. Esses órgãos de regulação e normatização aceitariam tais residuais se isso fosse prejudicial à desinfecção? Uma revisão da eficácia bactericida dos isocianuratos*13 que incluiu inúmeros trabalhos científicos, teste de laboratório e de campo, concluiu que (1) o ácido cianúrico em residuais de pelo menos 200 ppm não afetam a eficiência bactericida do cloro e em alguns casos até a aumentam; (2) reduz significativamente a perda de cloro por ação de luz ultravioleta; (3) que os isocianúricos clorados são biocidamente ao menos equivalentes aos cloros orgânicos ou outros desinfetantes aceitos; (4) que o ácido cianúrico diminui o efeito bactericida do cloro em água destilada, mas que esse efeito se torna insignificante nas condições reais da água de piscinas; (5) que o nível do residual de cloro livre é o fator principal para manter desinfecção satisfatória e o mínimo de 1,0 ppm de cloro livre foi sugerido; (6) que o cloro combinado (cloraminas) é um desinfetante ineficiente e deve ser minimizado por supercloração frequente; (7) que a operação bem sucedida de piscina requer manutenção das faixas adequadas de parâmetros como pH e alcalinidade, que podem comprometer a eficácia biocida, e que em adição ao tratamento químico adequado, um bom sistema mecânico (bomba e filtro) é imprescindível, assim como manutenção contínua.

Ademais, qualquer circuito aquático fechado e sujeito a evaporação requer purga frequente para manter os sólidos totais dissolvidos sob controle, já que estes sim, quando em grande quantidade, podem diminuir a eficácia desinfetante, causar incrustações, turbidez, entre outros danos. Numa piscina, os sólidos totais se acumulam, não só devido ao aumento do teor de ácido cianúrico, mas de todos os produtos utilizados no tratamento (aliás, desinfetantes à base de cloro, os isocianúricos clorados, ao longo do tempo, são os que adicionam menor volume de sólidos torais dissolvidos e por isso requerem menor reposição de água nova para impedir o descontrole desse parâmetro*14), de excreções não oxidáveis de banhistas e pela evaporação da água. Resultados de estudos da eficiência bactericida do cloro frente ao acúmulo de sólidos totais e materiais não filtráveis e não oxidáveis provenientes de banhistas, em testes de campo realizados no Canadá*15, levaram as autoridades de saúde canadenses a aprovar regulamentação exigindo a reposição de 40 galões (151,4 litros) de água fresca, diariamente, para cada banhista nas piscinas sob sua supervisão. A diluição do acúmulo de sólidos só é possível pela reposição constante de água nova, prática saudável e obrigatória em qualquer sistema de tratamento de água de recirculação.

A piscina também está sujeita à perda normal de parte de sua água pelo uso por banhistas (splash out ou carry out), transbordamentos por chuvas (veja os índices pluviométricos) e a retrolavagem frequente dos filtros. Esta última é prática também obrigatória, que por si só impede um aumento do residual de ácido cianúrico na água e promove a diluição dos sólidos totais.

Num estudo em larga escala, com extensivos testes de campo realizados na Califórnia, E.U.A, diversas piscinas foram mantidas com dicloro isocianurato de sódio depois de estabilizadas com 50 ppm de ácido cianúrico, dentro dos padrões de tratamento normalmente aceitos, por um período de 6 meses; duas vezes por semana o residual de ácido cianúrico foi analisado e os testes mostraram que seu aumento máximo estabilizou-se em torno de 200 ppm em algumas piscinas, enquanto que a média situou-se em menos de 100 ppm*16. Testes de campo*17 realizados com diversos níveis de residuais de ácido cianúrico (0 a 300 ppm) em 30 piscinas, por 3 meses, demonstram que o nível de 300 ppm jamais pode ser atingido pelo uso normal de isocianúricos clorados (ácido cianúrico suplementar tinha de ser periodicamente adicionado manualmente porque seu residual tinha forte tendência a se estabilizar em níveis mais baixos).

É verdade que, ao ocorrer a superestabilização, a eficácia da sanitização fica reduzida, ou seja, ao realizar a análise da água, será constatada a presença de residual de cloro livre; porém, esta leitura não é real, uma vez que este residual de cloro livre se recombinará em parte com o excesso de ácido cianúrico, sendo que a reação de dissociação do dicloro e tricloro na água é reversível, impedindo a ação desinfetante do cloro que já não é mais “livre”, apesar de detectado como tal?

Não! Nos métodos colorimétricos para determinação do cloro livre, o reagente (ou indicador) mede tanto o ácido hipocloroso (HOCl e OCl- na equação 3) que está disponível, como os íons hipoclorito (OCl- nas equações 1, 2 e 5) que estão em equilíbrio com o anel cianúrico, que se constituem reserva do cloro livre disponível. Isso ocorre exatamente porque o equilíbrio entre o cloro livre (equação 3) e o cloro associado ao anel cianúrico é rapidamente restabelecido (princípio de Le Chatelier, para os químicos): à medida que o cloro livre da equação 3 reage com o indicador, ou seja, é consumido, novo cloro livre é formado pelos íons hipoclorito que estavam ligados ao anel cianúrico (equações 1, 2 e 5) para recompor o equilíbrio. A reação é reversível e essa liberação é imediata, tendo inclusive já sido calculada por Pinsky*18 como da ordem de 10-2 a 10-9 segundo por mol. Ou seja de 1/100 a 1/1.000.000.000 de segundo para cada cerca de 50 gramas de hipoclorito. Se a reposição do que está associado ao anel cianúrico é assim imediata, o cloro livre que está associado ao anel cianúrico deve ser considerado como livre. Então a análise do cloro livre revela, sim, o teor total de cloro livre presente na água, e todo ele está disponível. Aliás, a própria análise comprova a eficiência dos clorocianúricos em recompor rapidamente o cloro livre consumido.

É verdade que se pode comparar o uso dos cloros estabilizados com o de uma pessoa que toma antibiótico sem a real necessidade de tomá-lo e quando a necessidade real aparecer, ele não fará mais o efeito desejado? Com o ácido cianúrico proveniente do tricloro e do dicloro ocorre a mesma coisa?

Não! Trata-se de uma analogia infeliz que não cabe no assunto cloração ou oxidação, já que microorganismos e outros materiais orgânicos não conseguem desenvolver resistência contra esse método de eliminação (oxidação é queima!) como acontece com antibióticos. Se essa suposição fosse verdadeira, imagine que as florestas, após milênios de exposição a incêndios de toda espécie, teria hoje madeira totalmente incombustível.

O acúmulo do ácido cianúrico na água da piscina tornará mais fácil ao cloro adicionado reagir com ele, não combatendo os microrganismos quando a água estiver superestabilizada?

Não! Superestabilização não existe. Foi um mito criado por evidências circunstanciais, de diz-que-diz, citações fora de contexto e associação dos isocianúricos com cloraminas, em época (anos 60/70) que pouco se conhecia de sua química, do método de estabilização dos isocianúricos e de águas de piscinas, e alimentado por interessados em impedir o crescimento desses produtos (como ainda acontece hoje!). Todos os dados apresentados comprovam que os isocianúricos funcionam e se constituem a melhor opção para a desinfecção de águas de piscinas. São mais de 50 anos de sucesso crescente e ininterrupto junto a consumidores mais do que satisfeitos.

É verdade que a superestabilização da água permitirá também o desenvolvimento de algas, tornando a piscina esverdeada, e que quanto mais cloro (dicloro e tricloro) o usuário adiciona à piscina, mais verde ela fica e menor a eficácia do cloro livre detectado?

Não! Situações como as mencionadas não são devidas à presença de altos teores de ácido isocianúrico e sem a outros fatores sobejamente estudados, elucidados e documentados 14,15, 19 entre os quais podem ser citados metais dissolvidos, presença de algas, alta demanda de cloro, pH fora da faixa, excesso de cálcio, excesso de sólidos totais dissolvidos, filtração ineficiente etc., problemas comuns tanto em águas com isocianúricos como em águas sem isocianúricos.

É verdade que ocorrendo a superestabilização, a única solução possível para reduzir a concentração de ácido cianúrico é a drenagem parcial da água (às vezes total), o que implica em possíveis desvantagens: prejuízos para a estrutura da piscina, perda de milhares de litros de água e custos elevados para o consumidor?

Não! Quando parte ou toda a água da piscina é substituída por água nova parece que todo o problema se resolveu porque o ácido cianúrico foi descartado. Mas veja que também, as algas, os sólidos totais dissolvidos, o excesso de cálcio, e tudo mais que causava problema também foi diluído. A verdade é uma só: quando o teor de ácido cianúrico é elevado, isso indica que muito provavelmente o tratamento da água está sendo negligenciado, como retrolavagem dos filtros, reposição frequente de água nova, residual de cloro livre, pH e alcalinidade total, etc., por isso o teor de sólidos totais dissolvidos está também elevado e, consequentemente, se a eficácia da desinfecção está comprometida, nova adição de cloro não resolve o problema 14,19. Como já visto anteriormente, a reposição frequente de parte da água da piscina – que é parte intrínseca ao tratamento correto – mantém os sólidos dissolvidos dentro de um patamar estável de forma que esses problemas não ocorram.

É verdade que, como o próprio nome diz, o ácido cianúrico baixa o pH da piscina e o torna instável, sendo necessária a adição frequente de corretores de pH e que este normalmente é um custo extra que o usuário não percebe?

Não! Estamos falando do acúmulo de ácido cianúrico na água pelo uso de dicloro e tricloro – os isocianúricos clorados - em águas com pH de 7,2 a 7,8 e alcalinidade total de 100 a 120 ppm, o residual que fica na água é o de um sal de ácido cianúrico neutralizado; qualquer impacto que possa haver sobre o pH foi causado pelo isocianúrico clorado e não pelo ácido cianúrico. O termo “residual de ácido cianúrico” em águas de piscinas (pH 7,2 a 7,8) empregado erroneamente no mercado deve ser tecnicamente interpretado como “residual de sais de ácido cianúrico”, onde o que importa é o anel cianúrico em si. Wojtowicz¹ calculou as variações de pH causadas para a dosagem média para o tratamento de manutenção residual de cloro em um volume de água (com pH 7,5 – 80F – 100 ppm de alcalididade total e 100 ppm de ácido cianúrico) por uma semana com tricooro e com dicloro: as alterações foram respectivamente de -0,14 e -0,09, isto é o pH baixaria para 7,36 e 7,41 respectivamente, ou seja, ainda se situaria dentro da faixa ideal de 7,2 a 7,8.

Depois, o ácido cianúrico na verdade é um tampão (equilíbrio entre um ácido e seu sal) até melhor do que a própria alcalinidade total da água, já que sua capacidade máxima de tamponamento se situa em pH 6,8, enquanto que a do ácido carbônico (alcalinidade total) é de 6,3, isto é, a do ácido cianúrico está mais próxima do pH ideal de águas de piscinas (7,2 a 7,8)20. Para quem não sabe, tampão é uma solução de pH estável que tende a neutralizar qualquer variação de pH. Portanto, quanto maior a concentração de ácido cianúrico numa água, mais estável será seu pH.

É verdade que a forma mais inteligente para obter a estabilização do cloro na água da piscina é através da utilização de Estabilizante de Cloro (ácido cianúrico – 50g para cada 1000 litros de água) de uma única vez, caso contrário a superstabilização é inevitável e que a aplicação em quantidades adicionais/complementares de Estabilizante de Cloro na piscina deverá ocorrer somente nos casos em que houver necessidade de reposição de grandes volumes de água, eliminada nos processos de retrolavagem de filtros e/ou drenagem?

Não! A estabilização com 50 ppm de ácido cinaúrico deve ser feita em todas as piscinas expostas ao sol, no início do tratamento. Quando se utilizar cloros não estabilizados na cloração diária será necessário analisar, ao menos uma vez por mês, o residual de ácido cianúrico e recompor o nível inicial de 50 ppm para manter a estabilização eficiente. Quando se utilizar um cloro estabilizado, essa reposição é desnecessária e o residual de ácido cianúrico nunca atingirá residuais elevados.

Em qualquer caso, mantido o residual ideal de 2 a 4 ppm de cloro livre na água o tempo todo, pH de 7,2 a 7,8, alcalinidade total de 80 a 120 ppm e mantendo-se as demais práticas do bom tratamento, como retrolavagem dos filtros, limpeza das bordas, a desinfecção da água se processará normalmente (não importa o tipo de cloro utilizado), não haverá acúmulo de sólidos totais dissolvidos e o uso da piscina poderá ser feito com toda a segurança.

Os cloros estabilizados dicloro e tricloro podem ser utilizados para desinfecção de água para consumo humano?

Sim. Os produtos dicloro e tricloro devidamente registrados na ANVISA para esse fim podem ser utilizados em sistemas de tratamento de água para consumo humano de uso contínuo. A Norma ABNT:NBR 15.784:2009 - “Produtos químicos utilizados no tratamento da água para consumo humano – efeitos à saúde – Requisitos” 21, inclui tanto o dicloro isocianurato de sódio como o ácido tricloroisocianúrico como produtos destinados à desinfecção e oxidação no tratamento de águas para consumo humano. Esses produtos são atualmente utilizados por companhias públicas de saneamento, indústrias, granjas e agropecuária.

Órgãos internacionais como a NSF/ANSI-60, Drinking water treatment chemicals – Health Effects 22 (Produtos químicos para tratamento de águas – Efeitos à Saúde) certificam esses produtos para tratamento de águas para consumo humano. Além disso a OMS, “Guidelines for drinking water quality, World Health Organization também menciona o dicloro e tricloro para tratamento de água para consumo humano.

Como se vê pelo exposto, existe hoje um acervo inestimável de conhecimento técnico, baseado em ciência, pesquisas de laboratório e de campo, e sobretudo resultado da aplicação dos produtos dicloro e tricloro pelos consumidores, desenvolvidos ao longo de mais de 50 anos de história, mas ainda assim os métodos de combate a esse sucesso continuam sendo a malícia, a futrica, a mentira com a criação de mitos e dúvidas na cabeça de usuários incautos.

REFERÊNCIAS:

1. Swimming Pool Water Balance, Part 1: The Effect of Cyanuric Acid and Other Interferences on Carbonate Alkalinity – de John A. Wojtowicz – in Journal of the Swimming Pool and Spa Industry, Vol. 1, Nº 1, pgs. 7-13.
2. Cyanuric Acid, It’s Use and Control in Swimming Pools – Special Report Nº 7858 – Research and Development, Inorganic Chemical Division, Monsanto Company – by G.D. Nelson – April 7th, 1972, pgs. II-1.
3. FCM Technical Report – 010679SKJ.
4. FCM Technical Report – ICG 11/B.
5. ANSI/NSPI-1/1991 – AMERICAN NATIONAL STANDARD INSTITUTE.
6. ANSI/NSPI-2/1992 – AMERICAN NATIONAL STANDARD INSTITUTE.
7. ANSI/NSPI-3/1992 – AMERICAN NATIONAL STANDARD INSTITUTE.
8. ANSI/NSPI-4/1999 – AMERICAN NATIONAL STANDARD INSTITUTE.
9. ANSI/NSPI-5/1995 – AMERICAN NATIONAL STANDARD INSTITUTE.
10. ANSI/NSPI-6/1992 – AMERICAN NATIONAL STANDARD INSTITUTE.
11. Carta ref. WS/330/163, de 07/02/1977, do Department of the Environment, Londres, Inglaterra.
12. A Review of Mwthods for Testing Cyanuric Acid Residuals in Swimming Pool Water – de Mary Constanzo – in Proceedings Vol. III – NSPI Chemistry Simposium (Advances in Pool and Spa Water Chemistry – Analisys, Measurement and Testing – 1998).
13. The Bacterial Efficacy of Cyanurates, A Review – F.W. Linda, R. C. Hollenbach – in Journal of Environmental Health, Vol.40, Nº 6, May/Jun 1978, pgs. 324-329.
14. Problems os Pool Water Management – G.D. Nelson, F.B. Clarke e R. Kimerle– apresentado na Convenção de 1973 do NSPI em Las Vegas, Nevada, USA.
15. Recirculating and Overflow Refill of Public Swimming Pools: A Chemical and Microbiological Appraisal, de D.M McLean, R. Brown Jr. e M.C Nixon – in Canadian Journal of Public Health, 53, January 1962, pgs.9-16 .
16. FMC Report T-76-122, 1973 California Swimming Pool Field Study.
17. FMC Technical Report ICD/T – 74-038 – Determination of Swimming Pool Economics with Various Sanitizers in Stabilized and Unstabilezed Pools, de R.C. Hollenbach.
18. FMC Technical Report ICD/T – 76-130 – Hydrolysis of the Clorinated S-trizinetriones – de M.L. Pinsky.
19. The Enigma of Total Dissolved Solids, F.W. Linda, R.C. Hollenbach, apresentado na Convenção annual de 1976 (14/11/1976) do National Swimming Pool Institute, em Chicago, Illinois, USA.
20. Swimming Pool Water Buffer Chemistry – de John A. Wojtowicz – in Journal of the Swimming Pool and Spa Industry, Vol. 3, Nº 2, pgs. 34-41.
21. ABNT NBR 15784 – Segunda Edição (24/02/2014) – Produtos Químicos Utilizados no Tratamento de Água para Consumo Humano – Efeitos à saúde – Requisitos. 22. NSF/ANSI60, Drinking water treatment chemicals – Health Effects, 2005.


São Paulo, 18 de Setembro de 2015.

Alcides dos Santos Lisboa Responsável Técnico – CRQ IV nº: 04405984




“Cinco pecados sociais: política sem princípios, riqueza sem trabalho, conhecimento sem caráter, comércio sem moralidade e ciência sem humanidade”. Mahatma Gandhi.

A campanha contra os cloros estabilizados parece que continua; pode ser ouvida em consultas telefônicas, vista em diversos sites e, pelos detalhes da (des)informação, facilmente se depreende que procedem de uma única fonte: a mesma que desde os anos 70 do século passado tenta inutilmente impedir o crescimento do mercado de cloros estabilizados, exatamente nos pontos onde ele é mais útil: no tratamento de águas de piscinas e consumo humano.

Infelizmente, alguns usuários incautos e muitos comerciantes e pseudotécnicos mal-intencionados propagam a ideia, sem contudo mencionar as bases científicas ou protocolos que tornam o uso dos produtos isocianúricos (cloros estabilizados) contraindicados para desinfecção de águas.

Veja como agem os mal-intencionados: criam um mito que não existe. Eles dizem: “Você acha que o cloro estabilizado vai deixar sua piscina equilibrada? Isso é um mito!”

Em primeiro lugar, esse mito nunca existiu; segundo, o que seria água equilibrada? Água com cloro no nível ideal? Com pH de equilíbrio dentro dos parâmetros? Em resumo, são palavras soltas sem relação com estabilização de cloro ou desinfecção da água.

Em seguida, destroem o mito criado para mostrar seu verdadeiro interesse, ou seja, tentar convencer que o produto que fabricam é melhor que o cloro estabilizado:

E ainda acrescentam: “Aplicar o cloro estabilizado não significa que a água da sua piscina ficará equilibrada. Pelo contrário, ele age bloqueando parte da ação do cloro, ou seja, essa parte não purifica a água. O uso contínuo desse produto pode causar um problema muito grave: a superestabilização da água. O hipoclorito de cálcio é mais eficiente no tratamento da água, pois age disponibilizando todo o seu cloro ativo na purificação.”

Então, contando com o desconhecimento técnico de consumidores, comerciantes e tratadores de piscinas, e sem mencionar qualquer estudo científico para atestar suas afirmações, está criado o mito, que se propaga boca a boca, pela internet, redes sociais e até em lojas de piscinas: superestabilização, resultado do acúmulo de ácido cianúrico na água da piscina pelo uso continuado do cloro estabilizado. Gandhi tinha razão!

MAS ESTABILIZAÇÃO DO CLORO EXISTE?

Sim, estabilização do cloro existe, comprovada por estudos científicos, testes de laboratório, testes de campo e mais de meio século de aplicação em piscinas por todo o mundo e muitos milhões de clientes satisfeitos por mais de cinco décadas.

Nos anos 1950 e1960, foi descoberto que a adição de pequena quantidade de ácido (iso)cianúrico em águas de piscinas podia reduzir de 50 a 75% a perda de cloro residual frente à radiação solar. Então, o ácido isocianúrico passou a ser largamente aplicado em piscinas tratadas com cloro, e o processo foi denominado estabilização. O ácido isocianúrico passou a ser conhecido como “estabilizante”. Com residuais de 25 ppm de ácido isocianúrico na água, ela fica estabilizada contra os raios solares (que aceleram a decomposição do cloro). Veja o gráfico abaixo:

Em seguida, foram desenvolvidos novos produtos químicos pela reação de cloro com ácido isocianúrico (produtos químicos novos e não misturas de cloro com ácido cianúrico), chamados clorocianúricos, ou isocianúricos clorados, os quais – quando adicionados à água – geram o mesmo ácido hipocloroso (o ingrediente ativo do cloro) e também o ácido isocianúrico (estabilizante) e, voilá! Temos o melhor dos mundos: cloro e estabilizante, juntos, num só produto químico.

Então, os novos cloros, modernos, inteligentes, econômicos (que consomem de 50 a 75% menos cloro para manter desinfetadas as piscinas expostas ao sol) passaram a ser chamados de cloros estabilizados, enquanto que os demais tiveram – a título de diferenciação – que assumir o nome de cloros não estabilizados.

Uma pergunta: se você fosse um fabricante ou vendedor de cloro não estabilizado (hipoclorito de cálcio/ cloro líquido), como se sentiria? – Ameaçado, como um motorista de táxi de São Paulo ou Rio de Janeiro diante do aplicativo Uber.

Então, entenda que essa reação não é química, é própria da natureza humana (quando faltam princípios, trabalho, caráter, moralidade e humanidade), e não resultado de estudos científicos ou restrições regulamentares.

ENTÃO, SUPERESTABILIZAÇÃO NÃO EXISTE?

Não. Em testes de campo realizados com residuais de 200, 300 ppm de ácido isocianúrico presente na água, não foi constatada nenhuma adversidade à sua qualidade, redução de eficiência da desinfecção e, sobretudo, à segurança toxicológica dos usuários (os clorocianúricos são aprovados para desinfecção de água para consumo humano – ou seja, água para beber). Superestabilização foi um termo cunhado já na década de 70 do século passado por fabricantes de cloro mal-intencionados, para frear o crescimento dos cloros estabilizados. Como já dissemos, ainda hoje o termo é explorado com esse fim e para promover a venda de um cloro não estabilizado (hipoclorito de cálcio).

Porém, os propagadores dessa substituição (de cloro estabilizado por hipoclorito de cálcio) não previnem os incautos com a informação que o uso continuado de seu produto contendo cálcio (e outros sais) também vai acumular na água alta concentração de cálcio e outros sais e promover sua saturação. A saturação ocorre quando a água atinge um limite a partir do qual não consegue mais dissolver sais, especialmente os de cálcio, mesmo quando esses sais são solúveis. Quando isso ocorre, a água torna-se turva e leitosa, depósitos de cálcio se formam nas paredes, pisos, equipamentos e tubulações, a desinfecção fica ineficiente, aquecedores sofrem do isolamento e se tornam ineficazes.


PODERÍAMOS CHAMAR O FENÔMENO DE SUPERCALCIFICAÇÃO?

Sejamos honestos: todo e qualquer produto liberador de cloro vai deixar na água subprodutos da cloração, uns mais, outros menos, mas todos, inclusive o cloro gás, os deixarão. Alguns cloros aumentam o pH, que precisa ser reajustado com ácido; outros, abaixam o pH, que precisa ser reajustado com base. Toda e qualquer adição de produto químico à água, excetuando aqueles que se evaporarem dela, promove acúmulo de sólidos dissolvidos, de forma que o teor de sólidos totais dissolvidos aumenta gradativamente (é essa quantidade de sólidos que sobra de uma água depois de totalmente evaporada). Se a água da piscina não for renovada – por chuvas, reposição das perdas por retrolavagem do filtro e transbordamento causado pela entrada de banhistas, etc. - o total de sólidos dissolvidos não se dilui, só aumenta, até o ponto de deixar a água saturada. Esse fenômeno pode ocorrer em qualquer piscina, utilizando qualquer produto clorado, mais rapidamente em águas aquecidas, mas se o residual de estabilizante for alto e você consultar os “técnicos” propagadores da desinformação que falamos neste artigo, certamente vai receber o diagnóstico de SUPERESTABILIZAÇÃO e a recomendação de substituir parte da água da piscina. Gandhi estava certo!

Mas, perguntará o leitor: “eu segui a recomendação deles e deu certo; o residual de ácido cianúrico baixou; a água voltou a ficar bonita e responder ao tratamento!”.

Nossa resposta: pelo resultado obtido, claro que a correção está certa. O diagnóstico é que está errado. Essa substituição de parte da água da piscina diluiu os sólidos dissolvidos, e ela voltou ao seu normal. Se essa diluição tivesse sido feita ao fim de cada semana, ou mês, conforme a piscina, o problema nunca teria ocorrido. Já o teor de ácido cianúrico, o único parâmetro analisado, diminuiu junto a todos os demais sais dissolvidos em função dessa diluição. O problema era causado pelo total de sais dissolvidos, do qual o ácido cianúrico é apenas parte.

Por Alcides Lisboa
Diretor Técnico da Genco Química Industrial LTDA.
CRQ IV nº 04405984



Dengue na piscina não!